25 de novembro de 2018

gris


de repente o céu acinzentou
como noite que chega
antes da hora
- como volta e meia
as lembranças
que esquecemos
ressurgem
mudando a cor
do dia em nós dentro

(hoje, um teto gris
de nuvens traz a cor
de uma tarde
lá pelos idos
de 1900 e guaraná
com rolha)

é chuva sobre a cidade,
passageira,
noite de mentira
que não rende estrelas

(eu vendo fora e dentro:
lá em cima
um faz de conta
da natureza,
aqui dentro
anos passando
sob o lado oculto
das retinas)

estrelas quando acendem
lembram-me
que só com elas
a noite é verdadeira.
observo.
absorvo.

24 comentários:

  1. Observar o céu, as cores com que se apresenta...Se gris ,esperar as mudanças azuladas...Continuar olhando.Faz bem! Lindo te ler! abraços, ótimo dia! chica

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    1. É isso mesmo, Chica, abraços pra ti também.

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  2. Por aqui a tempestade é verdadeira. Como se fora uma lembrança assustadora. E como assobia!
    Belo teu poema escrito numa noite sem estrelas.

    Beijinho.

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  3. Uau, que poema maravilhoso! Cada verso desconcerta e faz-nos refletir, mas gostei, particularmente, dos dois últimos. Porque acho que a nossa caminhada passa muito por observar e absorver

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    1. Esse comentário vindo de ti é algo que me deixa contente, Andreia, afinal eu gosto bastante dos teus escritos. :)

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  4. Curioso que eu estava a observar o céu escuro da varanda. Nuvens cobrindo a lua, gotas de água dando indícios do amanhã cinza. Quem sabe nos conectamos, meu amigo, neste exato momento. Obrigado por traduzir, neste poema, minhas últimas e prolongadas horas de reflexão. Abraços Ulisses

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    1. Que alegria me dá te ver por aqui, Diego, e mesmo através da distância, estamos sempre de alguma forma conectados, qualquer hora iremos observar o céu daqui da cidade juntos de novo (e daí também), abraços!

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  5. escreve-se boa poesia neste blog
    é sempre gratificante saber de mais um espaço de qualidade

    abraço

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  6. Olá, Ulisses!

    Disseste-me há uns tempinhos, k não era fácil comentar poesia (a minha é mto fácil e direta), e hoje, e nesse momento, eu sinto isso.

    Escreves mto eruditamente (sabes k nem todos têm formação académica superior) e é difícil saber o k vai no cérebro e no coração do poeta, de ti. Tua poesia é mto "madura", e se não soubesse a tua idade, diria, que já tinhas 60 ou 70 anos.

    Céu cinzento, que surge de vez em qdo, tal como as nossas recordações boas e más, mas falas "lá pelos idos de 1900 e guaraná com rolha", sinceramente não consigo saber do k se trata.
    Pensemos, então, nas estrelas, que cobrem as cidades e os nossos olhos de verdade e beleza.

    Beijos e boa semana.

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    1. Oi, Céu. Achas que escrevo "eruditamente", interessante e curioso saber essa tua opinião, penso que em geral os meus poemas são também simples e diretos. Falta bastante tempo para eu ter 60 anos, hehe, mas sim, acho que, em alguns momentos, minha alma é mais velha, e em outros, talvez na maior parte do tempo, "a criança em mim" fala mais alto, brinca, não se leva muito a sério. "1900 e guaraná com rolha" é uma expressão que algumas pessoas de algumas partes daqui do Brasil usam para dizer que algo é bem antigo, ou que aconteceu faz muito tempo. Abraços.

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    2. Ulisses, olá, de novo!

      Grata pela tua explicação qto aos idos 1900 e tb em relação a toda a tua exposição.

      Bons sonhos e boas estrelas -rs.

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  7. Um belo poema... que nos revela um céu interior... também por vezes turbulento... mas sabendo absorver a turbulência... cedo ou tarde... todos os cinzentismos da vida, se tornam passageiros!...
    Gostei imenso! Abraço! Continuação de uma boa semana!
    Ana

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    1. Bom saber que gostou imenso, Ana, outro abraço!

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  8. Concordo plenamente com a Andreia. "observo. absorvo".

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  9. Muda o céu, mudamos nós. Ainda bem que nem sempre somos noite sem estrelas.

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  10. Bonito poema! Cuando observamos el cielo, expandimos nuestra conciencia nuestra alma fluye sin esfuerzo con esta grandeza, que nos caracteriza como seres humanos.
    Un abrazo.


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    1. Estoy de acuerdo contigo, Cristina, gracias, abrazos.

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  11. Vim dar umas voltas no passado, que é para onde estamos retrocedendo, ultimamente, Ulisses.
    Antes o passado fosse os teus versos dos meses anteriores...mas ao que tudo indica, é para o tempo do guaraná em rolha mesmo que estamos retornando.
    Sabes por certo que não temos mais o "Sem Censura", não é mesmo?
    Abraços solidários e libertários.

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    1. Acho que algumas pessoas, muitas, pensam que ainda estamos em algum ano do século XX, Sandra! Mas felizmente não são todas. Estamos aqui para quebrar determinadas antigas estruturas! Hehe. Abraços.

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