7 de setembro de 2018

algumas luas depois



tentas ver na escuridão
o teto da noite fechado em ti

mãos que não sabem repousar
como palavras sem destino

trancamo-nos no frio
dos gestos quase imóveis

e ainda assim
o que é nosso permanece

palavras nos diários
dias sem medida
horas cinzas

histórias por escrever
como se escrever ainda fosse
possível a dois

o que sei eu da tua vida
o que sabes tu da minha

escrevemos

sem medo da queda
pois do chão não passamos.


Um comentário:

  1. Sobre ser consigo e colocar em palavras o universo particular que está em mim, em ti, em todos. Mas que poucos querem/sabem ver e viver. A sensibilidade pra (d)escrever o imprevisível, o invisível e as vezes até o indizível. Coragem.

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