7 de setembro de 2018

antimatéria



antes de tudo, escrevo

do contrário
contaria cédulas 
em um banco

chegaria em casa
jantaria
assistiria qualquer coisa
e dormiria

no outro dia
os mesmos gestos
os mesmos objetos
sendo apenas
o que são

e, enchendo-me de cotidiano,
até o limite de transbordar,
haveria o risco de em mim
caber ainda um novo hábito:

entre o céu e a terra,
enxergar apenas
o que é palpável.





(imagem: José Gurvich)

3 comentários:

  1. O cotidiano, as regrinhas todas, a falta de sensibilidade, muitas vezes até com as nossas próprias vidas, tudo isso pode fazer mesmo com que uma pessoa acabe às vezes agindo como um robô, e enxergando "apenas o que é palpável". Esse texto parece que tá nos chamando pra uma tomada de consciência.

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  2. Digno de grande autoria.

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  3. Deus nos livre da mesmice. Fugir da monotonia, buscar o novo, mesmo que esse novo esteja apenas nas palavras.

    Um abraço

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