7 de setembro de 2018

o retorno de Saturno



ao tropeçarmos em nossas esquinas,
encontramos algumas verdades.
sempre há algo além do fim das ruas,
mesmo dos becos sem saída.

a Terra não é plana
como acreditavam ser antigamente
- como muitos ainda acreditam ser -,
o que nos mantém de pé é o céu aberto,
a gravidade nos finca no chão,
os sonhos, não.

tudo isto é normal?
de perto, quem?
vivemos porque nos fazemos falta.

andamos pelas cidades
que por elas um dia andaram
quando não eram cidades

e então voltamos às esquinas,
como quem já conhece o tropeço.

sempre há algo além do fim das ruas,
mesmo quando já sabemos.

a Terra não é plana -
ou apenas esquecemos o modo
como ela curva.

o céu ainda aberto,
a gravidade ainda insiste no chão,
os sonhos ainda não.

tudo isto é normal?
de perto, quem?

Um comentário:

  1. Nas pegadas das minhas botas
    Trago as ruas de Porto Alegre
    E na cidade dos meus versos
    O sonho dos meus amigos
    (Bebeto Alves)

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